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Jun

O futuro do Linux e a conquista dos usuários.

Publicado por gmazk  Publicado em História

Toda vez que a data de lançamento de uma nova versão de alguma distribuição popular de sistemas operacionais Linux se aproxima, aproveito pra reavaliar meus conceitos sobre o desenvolvimento e evolução do Linux… seu passado, presente e futuro. Como usuário e defensor do Linux, assim como muitos que conheço, tenho sentido cada vez mais aquela ansiedade que vem sido promovida pela possível proximidade do dia em que o Linux passará a fazer parte dos desktops de usuários domésticos (entenda-se uso não profissional genérico). Sim… realmente acredito que estamos perto do dia em que isso irá se tornar realidade, mesmo com o presente indiscutível domínio do sistema operacional janela$ no mercado, e acredito nisso porque o primeiro passo já aconteceu (tornar o Linux um sistema operacional fácil de operar e intuitivo, que não represente dificuldade nem mesmo para o mais iniciante dos usuários). Mas o que será que está faltando para que o Linux comece a conquistar sua fatia de mercado entre os usuários?

Estive lendo essa semana um artigo no SlashDot.org intitulado “Why Linux doesn´t spread – The curse of being free”, que defende um aspecto “filosófico” como o motivo da modesta popularidade do Linux entre usuários comuns. O artigo defende como justificativa a tendência dos seres humanos de não conseguirem, atualmente, igualar a qualidade de coisas gratuitas à qualidade de coisas “pagas”. O autor do artigo (Vlad Dolezal) acredita que em decorrência de um problema de percepção, as pessoas passam a ver o Linux como um sistema operacional “sem valor” já que podem obtê-lo gratuitamente, em relação a um sistema operacional que “vale” R$ 500,00 que não podemos obter gratuitamente, ao menos sem pirataria. Até concordo em parte com o ponto de vista do autor do artigo em questão, pois eu mesmo já ouvi dezenas de vezes a pergunta “como pode ser tão bom e ser grátis?” ou a pergunta “como as pessoas não conhecem e não usam se é tão bom e grátis?”… Aos que me fizeram a ultima pergunta, eu respondo: Boa pergunta! Ou seja, tem fundamento o aspecto citado pelo autor, e realmente tem alguma relevância, mas acredito que nesse caso, o buraco do coelho é bem mais fundo, pois além da desconfiança natural que as pessoas adquiriram com o “grátis”, temos atualmente uma sociedade relativamente incompatível com escolhas reais, pois de muito tempo pra cá acabamos nos acostumando a receber variedades imensas de uma unidade em diversos segmentos do mercado, e desaprendemos a escolher, e isso se tornou cômodo já que a responsabilidade da escolha deixa de existir quando só temos uma opção, e com isso o problema deixa de ser nosso e podemos ficar apenas reclamando de nossa única opção sem fazer nada a respeito. É um aspecto cultural e social que não podemos desconsiderar ao pensar sobre tudo isso. Talvez seja realmente muito cômodo para o usuário descartar a viabilidade do Linux como sistema operacional desktop, sem nem ao menos testá-lo e conhecê-lo (e vejo muitas pessoas agindo assim. Começam a criar empecilhos e pré-supor defeitos antes mesmo de seu primeiro contato com o sistema).

Ainda perto desse ponto de vista, existe a teoria do “medo do desconhecido, e da dificuldade de adaptação”, e também o temor de usuários iniciantes que ainda vêem erroneamente o Linux como um sistema operacional complicado específico para programadores ou usuários avançados, o que está longe de ser verdade há muito tempo, já que o Linux (pelo menos as distribuições mais novas e populares) já se tornou um sistema operacional extremamente intuitivo e “user friendly” até mesmo para usuários principiantes, isso sem contar a enorme vantagem dos LiveCDs que permitem que o usuário experimente e conheça o sistema sem ter que instalá-lo em seu HD, executando-o diretamente do CD. Além disso, existe também (mais no meio corporativo, porém também existente entre usuários comuns) o receio da ausência de suporte, o que também já deixou de existir há muito tempo. Hoje em dia, o usuário Linux pode contar com suporte oferecido por inúmeras empresas e distribuidores (que podem oferecer suporte pago mesmo sendo o sistema operacional gratuito) além do intenso movimento da comunidade de usuários Linux, que se reúne em grupos on-line que contam com milhares de participantes trocando gratuitamente em prol da própria comunidade, experiências, dúvidas e prestando suporte a todos os usuários iniciantes e até mesmo avançados. Podemos encontrar esse tipo de suporte em qualquer idioma, em fóruns de discussão, canais de chat IRC, blogs, em fim… é uma quantidade imensa de informação disponível gratuitamente a qualquer usuário que precise de ajuda com Linux, o que nos mostra que suporte há muito tempo deixou de ser problema independente do tipo de utilização (pessoal ou profissional) que o usuário vá fazer do sistema operacional.

Quando penso a respeito “do que falta” para que o Linux atinja sua popularidade entre os usuários comuns, me lembro de uma frase que li na Linux-Foundation.org, que diz que “Uma plataforma é tão forte como as aplicações que a mesma suporta”. Pra comentar sobre isso, prefiro resumir a frase ao termo “compatibilidade” nesse sentido. Ok… muitos já sabem que o Linux já se tornou um excelente sistema operacional para Desktops… seguro… estável… confiável… bonito… prático (estamos quase lá)… MAS… ainda continua existindo aquela famosa pergunta “Será que roda tal software? Será que roda tal jogo?”. E é com base em algumas respostas possíveis para essas duas perguntas que muitos usuários deixam de migrar para o Linux, mesmo reconhecendo sua superioridade em diversos aspectos com relação ao janela$. Temos ai um certo circulo vicioso. Muitos softwares proprietários utilizados por milhões de usuários não rodam no Linux já que seus desenvolvedores só os produzem para o janela$, já que este domina aproximadamente 90% do mercado de usuários desktop. Ou seja, de uma certa forma, o Linux não é popular por não rodar certos programas e jogos populares, e do outro lado da moeda, não roda certos programas e jogos por não ser popular o bastante pra despertar a atenção dos desenvolvedores o bastante para produzir uma versão pra Linux… E ai chegamos a um outro problema que atinge os desenvolvedores que querem produzir versões de seus softwares pra Linux… Produzir PRA QUAL DISTRIBUIÇÃO LINUX?

Chegamos agora naquele que, a meu ver, pode ser o principal problema do Linux com relação a sua popularidade e utilização. Atualmente existem mais de 300 distribuições Linux registradas, e apesar de todas elas serem derivadas de um grupo relativamente pequeno formado pelas principais distribuições, e apesar de todas usarem o mesmo Kernel (núcleo do sistema) temos um enorme problema de padronização do sistema. Problema de INTEROPERABILIDADE. As diferentes distribuições Linux usam diferentes sistemas de empacotamento, diferentes APIs, em fim, diferem muito uma da outra no que diz respeito a sua estrutura de organização e funcionamento. Em fim, coloque-se no lugar de um desenvolvedor de software proprietário (um programa ou jogo qualquer) que quer disponibilizar seu software para Linux… ai vem a dúvida… disponibilizar pra que distribuição? Alguns poderiam responder a pergunta com um “desenvolva para a distribuição mais popular entre os usuários que você deseja atingir com seu software”, mas lembrem-se que a distribuição mais popular hoje, pode não ser a distribuição mais popular amanhã. Tendências existem, certezas não. Já imaginou como seria esse tal “domínio” do mercado por parte do janela$ se existissem mais de 300 versões dele e uma não fosse totalmente compatível com a outra? Como você deve imaginar, quase ninguém utilizaria, pois isso imprime muitas dificuldades e restrições ao usuário final, que apenas quer um sistema operacional confiável para realizar suas tarefas usando os programas de sua preferência sem maiores complicações ou dores de cabeça, e também aos desenvolvedores, que não poderiam desenvolver seus programas para uma plataforma padronizada, e com isso teriam que fazer muitas escolhas que certamente iriam limitar o público a ser atingido com o software em desenvolvimento.

Este problema vai ainda mais longe, quando pensamos na questão da interface gráfica do sistema operacional. Atualmente no Linux contamos com as duas principais e mais completas interfaces gráficas para o sistema… o Gnome e o KDE. Ambas são extremamente completas, funcionais, bonitas e cheias de recursos… A meu ver, ambas estão praticamente prontas para serem “o rosto” do sistema operacional Linux para todos os usuários, mas o simples fato de existirem DUAS, apesar de apoiar as idéias de liberdade de escolha e variedade de opções que estão associadas aos sistemas operacionais OpenSource, acabam atrapalhando um pouco no que diz respeito à padronização e compatibilidade, já que as duas interfaces não possuem uma padronização de desenvolvimento e funcionamento, usam toolkits diferentes, em fim, dificultam as coisas para o desenvolvedor que quer fazer um software compatível com qualquer interface gráfica. Pode ter certeza que se uma dessas interfaces gráficas deixasse de existir, teríamos em pouco tempo o Linux muito mais presente nos desktops de usuários comuns, pois chegaríamos muito mais perto desse conceito de padronização e com isso de interoperabilidade. A interoperabilidade entre as distribuições Linux certamente vai evoluir, porém isso demanda tempo, organização, e muita cooperação entre os desenvolvedores… E o mais importante de tudo… isso tem um custo… como qualquer coisa no mundo da tecnologia, o desenvolvimento só acelera quando entra dinheiro.

 

Mesmo com todo esse problema resultante da ausência de interoperabilidade entre as distribuições Linux, temos disponíveis para as distribuições mais populares uma variedade GIGANTESTA de opções de software para todo tipo de atividade computacional. Conseguimos achar facilmente programas e jogos para todos os gostos no mundo OpenSource, mas temos atualmente usuários “viciados” em plataformas e programas já conhecidas há anos, até porque eles passaram anos sem ter outras opções acessíveis (ao menos para o público menos experiente e especializado), e acabaram ficando dependentes e à mercê do sistema e dos programas já conhecidos. Você pode atualmente citar qualquer programa mais “famoso” ou “popular” pra qualquer atividade que possa realizar com um computador, e eu mostro pra você um programa OpenSource de igualdade ou até mesmo superioridade técnica e funcional em relação ao citado por você. Mas temos o problema da adaptação (principalmente em ambiente corporativo, pois isso demanda tempo, e o tempo custa dinheiro, mas mesmo assim não deixa de ser viável, e até mesmo vantajoso. A meu ver o mercado corporativo só precisa de tempo para se adaptar ao software livre, pois é um bom negócio e já temos inúmeros cases de sucesso pra comprovar o aumento de lucratividade de um negócio depois da migração para o software livre). Temos também em Linux uma maneira de fugir do problema de adaptação e continuar usando software já conhecido, que são as virtual machines e os emuladores que permitem que o usuário utilize programas desenvolvidos para windows no Linux, e esta tecnologia está cada vez mais perfeita. Porém pra mim isso é só mais uma maneira de estimular a continuidade dessa dependência de produtos aos quais todos estão familiarizados, e de impedir que as pessoas descubram, conheçam e se familiarizem com produtos OpenSource que em muitos casos são até melhores que os softwares proprietários em questão. Mas pra quem prefere continuar dependente, a opção é viável e está disponível pra todos.

Ai você me diz “Beleza gmazk… você apresentou os principais problemas relacionados com a popularidade do Linux… mas quais as soluções?”. Insisto que o primeiro passo já aconteceu (tornar o Linux user-friendly (intuitivo e fácil de usar até mesmo para o usuário mais iniciante). Penso que estamos no caminho certo. Na opinião da maioria dos usuários mais experientes e especialistas da área, precisamos apenas de TEMPO para que a interoperabilidade, compatibilidade e conseqüente popularidade do Linux se torne uma realidade. Não podemos nos esquecer também da contribuição da comunidade de usuários Linux, que poderia reclamar menos dos problemas existentes e ao invés disso contribuir um pouco mais com aquilo que puder, já que uma simples sugestão, tradução, suporte prestado a um iniciante ou até mesmo indicação do sistema operacional a alguém que não conhece pode ajudar muito a comunidade. Até mesmo sua reflexão e discussão a respeito desse artigo pode ajudar. E quem sabe essa história toda de fusão Microsoft-Yahoo não leva nossa gigante amiga Google a ajudar (como fez por exemplo no caso do projeto Wine, tornando-o totalmente compatível e pronto pra rodar o software Photoshop da Adobe) o SO Linux e a comunidade OpenSorce, afinal de contas, um dinheirinho injetado nos projetos vai muito bem, obrigado… Eu espero ansiosamente e torço muito pra que as coisas, como de costume atualmente, evoluam rápido. Quem sabe no fim de 2010 (futuro bem próximo e sexto aniversário do sistema operacional Ubuntu) nós não possamos ler um novo artigo como este relatando uma realidade bem diferente da que vivemos hoje no mundo dos sistemas operacionais? Let´s wait and check!

Um grande abraço a todos.

 
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5

May

Um pouco de história…

Publicado por gmazk  Publicado em História, Linux

Tudo começou quando a terra era praticamente uma grande bola de fogo… bla bla bla bla… Bom, pulemos uma considerável parte.

Hoje -> Ao inaugurar o MultiVerso Linux, decidi que meu primeiro post, contrariando a tendência dinâmica da visão do weblog como mídia atual participativa, seria utilizado pra contar um pouco da história do GNU/Linux e seus ancestrais (para familiarizar non-geeks com a história do sistema, já que obviamente a grande maioria dos geeks já conhece todos os “causos” da carochinha relacionados ao nosso SO). Beleza… Mãos à obra… Vamos voltar um pouco no tempo. Mais precisamente, vamos voltar exatamente 146 anos no tempo e começar nosso conto por “lá”.

1861 -> William Barton Rogers funda o MIT (Massachusetts Institute of Thechnology)…

“Ta bom, mas o que que eu tenho com isso?” Se você usa GNU/Linux, tem muito a ver. O MIT é um dos mais renomados estabelecimentos de ensino superior do mundo, oferecendo hoje mais de 900 cursos nas áreas de ciência e tecnologia.

Depois de 4 anos de “água-de-salsicha” em virtude da Guerra Civil Americana, o MIT iniciou a admissão de seus primeiros alunos em 1865… Então, 96 anos depois … Pronto, agora você vai começar a perceber que tem muito a ver com o tal do MIT…

1961 -> Primeira demonstração do CTSS…

O CTSS (Compatible Time-Sharing System), desenvolvido no Centro de Computação do MIT e demonstrado pela primeira vez rodando em um IBM 709 e portado 1 ano depois para um novo hardware (IBM 7090), foi um dos primeiros sistemas operacionais a adotar a técnica de time-sharing empregada até hoje permitindo que vários usuários possam utilizar um ambiente pra executar programas sobre o mesmo sistema operacional rodando em uma máquina (moderno não?). Esse tipo de sistema caracteriza o processo de compartilhamento de processador, memória e disco entre vários usuários.

1962 -> O projeto MAC…

Em novembro de 1962, um integrante do MIT chamado Joseph Carl Roubnett Licklider propôs o projeto MAC (Multiple Access Computers ou Man And Computers, devido a dualidade de objetivos do projeto), criado para desenvolver um sistema operacional avançado e um laboratório de inteligência artificial. Um ano depois, realizou-se um estudo reunindo vários cientistas da computação em Cambridge com o objetivo de divulgar o CTSS e discutir o futuro da computação. Este estudo resultou em um importantíssimo subprojeto… o Multics (MULTiplexed Information and Computing Service)…

1963 -> O início do sistema operacional Multics…

Ainda em 1963, o projeto MAC começou a tomar grandes proporções e ganhou o apoio da ARPA (Advanced Research Projects Agency, subordinada ao Departamento de Defesa dos EUA), Bell Labs, GE (General Eletric) e IBM (que após a divulgação das especificações de hardware para rodar o Multics, ofereceu o IBM 360, lançado naquele ano).

O objetivo do projeto Multics era um sistema operacional com suporte para memória virtual, utilizando recursos de paginação e segmentação de memória, possibilitando um processo mais sofisticado de transferência de dados entre discos de memória.

Em 1964, a GE propôs a utilização do Multics em um mainframe GE-645, que também foi comprado pela Bell Labs no início de 1965, que juntou-se à equipe de desenvolvimento do Multics, apresentando a primeira descrição definitiva do sistema numa sessão especial na Fall Joint Computer Conference, ocasião em que muitos tomaram por impossível a ambiciosa tarefa da equipe de desenvolvimento do projeto devido aos recursos da época. A partir dai, foi finalmente escolhida a linguagem PL/I para gerar o código do Multics, iniciando-se assim, efetivamente, o desenvolvimento do sistema operacional, usando o CTSS como sistema para o trabalho dos desenvolvedores. Com o passar do tempo (e MUITO tempo), o próprio Multics passou a ser utilizado para o seu desenvolvimento, porém, sem resultados rápidos, o que gerou uma enorme frustração inicial da equipe, que acabou levando a Bell Labs, em abril de 1969 a retirar-se do projeto. Apesar disso, o Multics foi, ainda em 1969, disponibilizado para comercialização e utilizado por várias organizações importantes, tais como a Força Aérea Americana, a General Motors e a Ford.

O desenvolvimento do Multics foi cancelado em 1985, tendo depois disso sua utilização suspensa por várias organizações (diz a lenda que o último Multics sobrevivente em produção foi desativado no ano 2000 no Quartel General do Comando Marítimo Canadense).

1969 -> Surge o embrião do projeto UNIX…

Motivados pelo projeto Multics, Ken Thompson e Dennis Ritchie (até então integrantes do projeto Multics, que mantiveram contato pessoal com profissionais do Bell Labs mesmo depois de seu desvinculamento do projeto em 1969) deram início ao desenvolvimento de um projeto pessoal chamado Unics (UNiplexed Information and Computing Service).

O projeto Unics, tinha como objetivo fazer (COM RAPIDEZ) um sistema operacional simples, versátil e moderno, mantendo todas as idéias de time-sharing e implementando portabilidade como um dos objetivos do novo sistema. O nome Unics surgiu como um trocadilho referente à modéstia do novo sistema com relação as grandiosas metas do projeto Multics (Em 1970 o nome foi mudado para Unix com uma sugestão de Brian Kernighan, funcionário do Bell Labs, integrante do projeto).

Depois de duas propostas de investimento financeiro no projeto pleiteadas junto ao Bell Labs (visando adquirir um computador de médio porte para o sistema) e de uma grande falta de incentivo, Thompson, Ritchie e Rudd Canaday (outro integrante do Bell Labs que participou do projeto), começaram a desenvolver todo o projeto no papel, e traçaram toda a teoria sobre o filesystem (necessário para uma utilização correta dos discos por parte do sistema operacional) e sobre o Kernel (o coração do sistema operacional, que faz toda a intermediação entre o hardware e os processos em execução). Thompson encontrou então um computador (DEC PDP-7)relativamente velho abandonado em outro departamento do Bell Labs e finalmente conseguiu sua transferência para o projeto.

Ainda em 1969, Thompson começou a implementar o projeto do filesystem (chamado de “chalk filesystem” por Ritchie, devido ao seu projeto realizado em um quadro negro com giz) e também dividiu o projeto em quatro blocos com o objetivo de organizar o cronograma do projeto em 1 mês: Sistema Operacional, Shell (ambiente próprio para entrada de linhas de comandos), Editor de texto, e Compilação do sistema e dos programas.

O PDP-7 foi substituído em 1970 por um DEC PDP-11, já que o 7 estava se tornando rapidamente obsoleto e o Bell Labs percebeu finalmente os inúmeros benefícios do novo sistema operacional, além da rápida evolução do projeto.

A primeira versão do Unix foi escrita em Assembly que por ser uma linguagem complicada, tinha que ser substituída por uma linguagem de alto nível… Fortran foi descartada logo de cara… Foi decidido então o uso da BCPL (Basic Combined Programming Language), conhecida como B (obviamente pois é a primeira letra do nome)… Opa… Problemas: Lentidão (já que a linguagem tinha que ser interpretada) e Incompatibilidade (pois o PDP-7 tinha um processamento word-oriented ou orientado em palavras, e o PDP-11 em byte-oriented ou orientado em bytes)… Ah… Mas para o fodástico super-Richie não tinha tempo ruim… Ele usou o PDP-11 para adicionar funcionalidades ao B, que passou a se chamar NB (new B), e em seguida, providenciou um compilador para o NB pra resolver o problema da lentidão gerada pela interpretação… Tchanaaaaaaam !!! Nasce então a interplanetariamente famosa Linguagem C (nome que surgiu da utilização da segunda letra do BCPL).

Em 1973, foi implementado por Thompson o conceito de pipe (criado por Douglas McIlroy) que permitia que vários processos fossem “amarrados” gerando uma única saída ou resultado final.

1976 -> O Unix vai pras universidades

En 1976, Thompson foi dar aula na Universidade de Berkeley na Califórnia. O Unix então se espalhou rapidamente por inúmeras universidades. Quando Thompson voltou para o Bell Labs, o Unix continuou a ser desenvolvido por professores e universitários (tendo em vista que seu código era aberto e possuía uma licença universitária) e foi assim criado o BSD (Berkeley Software Distribution), uma versão do Unix inicialmente adaptada ao ambiente universitário. Os BSD atualmente são muito utilizados, sendo os derivados mais conhecidos: MacOS X (e sua base Darwin), FreeBSD, NetBSD, OpenBSD, BSDI (antigo BSD/OS), DragonFlyBSD, PC-BSD e DesktopBSD. Algumas empresas também desenvolveram seus próprios sistemas baseados em Unix, tais como o Solaris e SunOS (Sun Microsystems), HP-UX (Helwett-Packard), Tru64 Unix (Compaq), OpenServer (SCO), AIX (IBM), Xenix (SCO, AT&T e Microsoft), etc…

Bom, agora chegou a hora de falar um pouco sobre o RMS… Richard Matthew Stallman mas não vou me aprofundar muito (pelo menos não nesse tópico) porque afinal de contas o cara merece um tópico só dele. BTW, recomendo a todos (que lêem com facilidade documentos em inglês) a leitura do openbook Free as in Freedom: Richard Stallman Crusade for Free Software da O’Reilly Media, escrito por Sam Williams em 2002 (Quando tiverem tempo, cliquem e LEIAM!). Pretendo falar um pouco de temas como a Free Software Foundation, Open Source e Licença GNU GPL mais profundamente em outros tópicos. Enquanto isso, se tiver interesse em se aprofundar, “Google neles!!!”.
Vamos então falar diretamente e objetivamente do do projeto GNU e do surgimento do Kernel Linux…

1984 -> Início do projeto GNU…

Em 1984 Richard Stallman fundou o projeto GNU com o objetivo de criar um sistema operacional TOTALMENTE livre (o nome GNU além de sua proveniência óbvia do mamífero ruminante, vem do trocadilho acrônimo “GNU’s Not Unix”, já que o GNU tem uma concepção REALMENTE livre, ao contrário do Unix, que era livre e deixou de ser). O projeto refere-se a uma série de aplicativos totalmente livres que Stallman e vários outros programadores que abraçaram a causa desenvolveram como peças principais de um sistema operacional completo e livre…

1991 -> O momento bombástico determinante da nossa história…

Em 1991 o fodástico sistema de Stallman e seus colegas já estava quase pronto, mas faltava apenas um pequeno detalhe (rsrsrsrs)… O cérebro… O Kernel do sistema operacional. A equipe de desenvolvimento do GNU estava desenvolvendo um Kernel chamado Hurd, composto por daemons que utilizam o microkernel GNU Mach. Eis que então, exatamente em 05 de outubro de 1991, um jovem finlandês estudante da universidade de Helsinque chamado Linus Benedict Torvalds, provavelmente sem a MENOR IDÉIA do que se tornaria sua recente criação, postou uma mensagem (a fomosa) no newsgroup comp.os.minix anunciando que havia criado um kernel funcional (versão 0.02) que já rodava bash, gcc, gnu-make, gnu-seed, compress, etc… Na mesma mensagem ele disse que as fontes de seu novo Kernel estavam disponíveis para ampla divulgação, e que estava interessado em entrar em contato com pessoas que tivessem escrito utilitários/bibliotecas para o Minix com códigos livremente distribuídos (sob licença ou domínio público) para que pudesse adicionar de forma autorizada ao sistema.

Esta mensagem foi a mensagem oficial de lançamento do Kernel Linux, e por isso o aniversário do SO Linux é comemorado em 05 de outubro, dia da postagem da mensagem no newsgroup anunciando sua criação. Desde o início, Linus distribuiu seu Kernel exclusivamente com programas criados pela Free Software Foundation para o Projeto GNU, pois se todos os programas da FSF funcionassem bem com o Kernel Linux, seria uma prova de que o kernel estava totalmente ajustado ao kernel Unix…

Ufa… Pronto… Chegamos finalmente ao surgimento do fantástico sistema operacional GNU com Kernel Linux chamado GNU/Linux !!!

Normalmente por desconhecimento ou por questão de comodidade as pessoas utilizam simplesmente o nome Linux (nome do Kernel ou núcleo desenvolvido por Linus Torvalds) para falar do sistema operacional, que corretamente e por solicitação do projeto aos utilizadores deve ser chamado de GNU/Linux…

O GNU/Linux até o lançamento de sua versão 2.6 (que ocorreu em dezembro de 2003) tinha suas versões classificadas como versões em desenvolvimento ou versões estáveis de acordo com o segundo número. Ou seja, se falássemos do kernel 2.5.8 (segundo número ímpar) estaríamos tratando de uma versão em desenvolvimento. Já com o segundo número par, estaríamos tratando de uma versão estável. A partir do kernel 2.6, o kernel em desenvolvimento passou a ser identificável pela ausência do quarto número (que representa versão final, estável), mas mesmo assim, usa-se também a nomenclatura -rcX (release candidate N ou candidato ao lançamento) nas versões em desenvolvimento.

Hoje em dia temos disponíveis para utilização inúmeras distribuições do GNU/Linux, que reúnem diversos aplicativos (sejam eles da Free Software Foundation ou não). Falando de maneira simplificada, uma distribuição nada mais é do que o Kernel Linux combinado com programas compatíveis com ele…

As maiores distribuições GNU/Linux em produção são Debian, Slackware, SuSE, RedHat e suas inúmeras distribuições derivadas…

Bom, chega por hoje… Afinal de contas logo no primeiro post estou na frente do PC as 02:47 am rsrsrsrsrs… Depois eu reviso e complemento o post. Comentários, correções e acréscimos são extremamente bem vindos.

BTW, principal fonte de pesquisa deste post: O grande e onisciente oráculo… Google…

Grande abraço a todos!

 
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