Estou de volta pessoas! Escolhi o Ubuntu como base para esse tutorial pois é uma distribuição Linux extremamente amigável para o usuário iniciante, além de contar com a popularidade e imenso suporte de qualquer distribuição derivada do Debian. Este tutorial será baseado na distibuição Ubuntu Feisty (7.04). Ai você pergunta: “Mas gmazk, isso quer dizer que não funciona em outra distribuição?”… E eu respondo: “Isso apenas quer dizer que eu me preocupei em informar somente os pacotes cuja instalação se faz necessária, por não virem instalados por padrão nessa distribuição, não se preocupe”.
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Nesse tópico vou me aprofundar no Openbox.
Pra quem ainda não sabe, o Openbox é um window manager (gerenciador de janelas) de aparência INICALMENTE minimalista, altamente configurável, totalmente adaptado aos padrões da freedesktop.org .
O grande diferencial do Openbox é sua extrema rapidez. Ele é instalado “limpo” na máquina, permitindo que o usuário adicione somente as funcionalidades e recursos visuais que realmente deseja usar, minimizando assim o consumo de recursos da máquina e deixando o máximo possível de recursos para os aplicativos. Ele é minha escolha pessoal e uso ele na minha máquina de trabalho no meu dia-a-dia.
Mesmo para os usuários iniciantes que ainda estão maravilhados com os efeitos visuais do Compiz Fusion, uma solução interessante é manter Gnome rodando com Compiz Fusion no sistema pra usar naqueles momentos em que queremos brincar com a máquina (afinal de contas, a vida não pode ser só trabalho ;-)) , e instalar e utilizar o Openbox pra usar no dia-a-dia, ou em momentos em que a produtividade, estabilidade e agilidade do sistema são prioridade.
Ao contrário do que muitos pensam, o Openbox também pode ficar muito bonito no seu desktop, mas você tem que configurá-lo pra isso.
Nesse post, vou explicar como instalar e configurar o Openbox, abordando também a instalação e configuração de alguns programas que utilizo para personalizar o Openbox e adicionar recursos visuais.
Em minha máquina uso o Openbox 3.4.4, junto com hsetroot (para definir o wallpaper ou cor do fundo de tela), fbpanel (painel, ou barra de tarefas, chame como quiser - uso raramente), xcompmgr (responsável pela composição de sombras ao redor das janelas e menus, além de efeitos de fade-in/out) e transset-df-5 + xbindkeys (responsáveis por atribuição de transparência às janelas em tempo real com o botão scroll do mouse). A utilização desses programas já vai lhe dar uma boa base de tudo que você pode fazer com o Openbox, e a partir dai, você pode sair à caça de outras opções de personalização e novas implementações de funcionalidade ao window manager em questão (vou postar tópicos futuros sobre mais opções de personalização e adição de novas funcionalidades).
Aí vão algumas screenshots do meu Openbox configurado dessa maneira (o tamanho “esticado” da imagem do screenshot fullscreen é porque uso 2 monitores, e a captura pega tudo)… Clique nos Screenshots para ampliá-los…
Bom, chega de blá blá blá, e mão à obra!
O primeiro passo é instalar os pacotes do Openbox 3.4.4 e do Obconf 2.0.2 (Openbox Configuration Tool - responsável por algumas configurações básicas do Openbox, como escolha de temas visuais, comportamento de foco das janelas, fontes e organização da barra de título das janelas, docking etc…)
Como as versões disponibilizadas pelos repositórios oficiais do Ubuntu não estão atualizadas, estou disponibilizando os links dos pacotes .deb das versões mais novas do Openbox e do Obconf. Basta que você faça o download dos pacotes clicando nos links abaixo, e depois de baixar, clique duas vezes sobre cada um deles em sua pasta de downloads pra instalá-los com o “Instalador de pacotes Gdebi”. Seguem os links:
Openbox 3.4.4 - openbox_3.4.4-0ubuntu1_i386.deb
Obconf 2.0.2 - obconf_2.0.2-0ubuntu1_i386.deb
Beleza… Devidamente instalados os pacotes vamos à algumas explicações antes de você entrar no Openbox, pra esclarecer algumas dúvidas que podem surgir…
Muita gente, depois de instalar o Openbox, erroneamente fala: “Ué gmazk, mas não aconteceu nada!!! Acho que não funcionou!”. E eu respondo: “Na verdade funcionou sim… Porém, funcionou tão bem e tão rápido que você nem teve a chance de perceber.”
Depois de instalar o Openbox, você tem que reiniciar o servidor X (<Ctrl>+<Alt>+<Backspace>) e irá aparecer pra você a tela do GDM (Gnome Display Manager - É o programa de login gráfico configurável que você vê assim que inicia seu sistema, onde você tem que digitar seu nome de usuário ou senha). A não ser é claro que seja um usuário mais avançado e tenha configurado seu sistema pra iniciar em modo texto sem iniciar o servidor X, ou então, que utilize outro gerenciador de login, mas se este é seu caso, com certeza já entende bem do que estou falando nesta etapa do tutorial e não precisa dar atenção a esta parte - falarei mais detalhadamente sobre o assunto “gerenciadores gráficos de login e login em modo texto” num próximo post.
Pois bem, na tela do GDM, pra iniciar o Openbox, você tem que clicar em “Opções” -> “Selecionar Sessão” -> “Openbox”. O GDM então irá perguntar se quer iniciá-lo apenas para a sessão atual ou torná-lo padrão. Isso é uma opção sua.
Ao entrar no Openbox, você não vai inicialmente ver “nada”. Isso porque a instalação padrão do Openbox conta apenas com um menu bem básico que aparece na tela quando você clica com o botão direito do mouse no desktop, e ainda não tem nenhum wallpaper ou barra de tarefas configurados…. É isso que vamos fazer agora…
Já está no Openbox? Não? Então corre pra lá rapaz! Entre no Openbox reiniciando o X conforme descrito acima, abra o Firefox com seu novo menu ainda “basicão” e continue lendo o artigo que agente deixa esse Openbox bonitão.
Pronto? Ótimo. Continuemos…
A primeira coisa a fazer é começar a personalizar seu menu, adicionando os programas que você quer que ele seja capaz de abrir. Você tem dois métodos para fazer isso… Manualmente editando o arquivo de extensão .xml do seu menu (menu.xml), ou usando um programa muito prático para fazer isso chamado Obmenu (Openbox Menu Editor).
Antes de mais nada, vamos criar sua pasta de configurações (caso a mesma ainda não exista)…
Abra o terminal (não abra o terminal como root usando o gksu, pois a pasta de usuário não será a mesma que a sua)…
Digite:
# mkdir -p ~/.config/openbox
# cd ~/.config/openbox
# cp /etc/xdg/openbox/* ./
Agora entenda o que você acaba de fazer:
~ é o endereço de sua pasta de usuário. Portanto, quando você escreve cd ~/.config e seu nome de usuário é abigobaldo, o comando equivale a escrever cd /home/abigobaldo/.config, ou seja, o comando leva você para dentro da pasta de configurações pessoais do seu usuário.
Com o mkdir -p você criou o subdiretório openbox dentro da sua pasta de configurações pessoais (~/.config/), pra poder editar depois os arquivos de configuração do openbox para o seu usuário. A opção -p (–parents) serve para que o comando mkdir crie o subdiretório recursivamente, ou seja, caso o diretório pai (.config nesse caso) não exista, ele também será criado. E caso ele já exista (o que é bem provável) ele irá simplesmente criar o diretório filho sem apresentar mensagem de erro alguma.
E por fim, o último comando copiou as configurações padrão instaladas com o openbox (que estão em /etc/xdg/openbox) para a pasta de configuração pessoal que você acabou de criar em ~/.config/openbox
Pronto. Dentro da pasta em que você está agora (~/.config/openbox) existe o arquivo menu.xml. Esse é o arquivo que contém as configurações do seu menu. Ele tem uma estrutura bem fácil de entender, e você pode modificá-lo usando um editor de textos qualquer de sua preferência para fazer adições e modificações ao menu do openbox.
A outra maneira de editar seu menu é utilizando o programa obmenu, que é um GUI (Graphical User Interface ou Interface Gráfica do Usuário) que edita esse arquivo pra você tornando sua personalização do menu mais prática e rápida.
Para usar o Obmenu ao invés de editar o menu.xml manualmente faça o seguinte:
Primeiro baixe o Obmenu 1.0 aqui –> obmenu-1.0.tar.gz
Depois entre no diretório para onde fez o download do arquivo e:
# tar -vzxf obmenu-1.0.tar.gz
# cd obmenu-1.0
Agora você deve instalar o programa, utilizando o seguinte comando (sua senha root será solicitada):
# sudo python setup.py install
Pronto, feito isso o Obmenu está instalado. Você pode executá-lo com o comando obmenu no terminal, e aproveitar pra inserir esse mesmo comando como um item do seu menu, já que estará personalizando ele agora, pra que você não precise executar o obmenu pelo terminal. O obmenu é bem simples e intuitivo, então não vou colocar aqui explicações a respeito de como usá-lo. Qualquer dúvida posta aí que agente resolve, ou me mande um e-mail (gmazk@multiversolinux.com). Não se esqueça que pra adicionar ao seu menu aplicativos que necessitam de privilégios de administrador pra funcionar, você tem que adicionar “gksu ” no começo da linha de comando a ser executado pelo item que está adicionando.
Beleza… A essa altura você já deve ter personalizado um pouco seu menu. Salve as alterações que fez com o obmenu clicando no botão pra salvar, e em seguida ao clicar com o botão direito no seu desktop já verá as alterações feitas (implementação da nova versão, pois em versões anteriores era necessário clicar em “reconfigure” no menu para que as alterações tivessem efeito.
Ótimo. Agora vamos passar para a parte da perfumaria, definindo seu wallpaper, ou cor de fundo de tela se preferir, e ativando sua barra de tarefas, sombras das janelas e transparências.
Instale os programas de atribuição de fundo de tela, composição, atribuição de função a teclas e painel que vou usar neste guia, pelo terminal, com o seguinte comando:
# sudo apt-get install hsetroot xcompmgr xbindkeys fbpanel
Vamos aproveitar que estamos instalando coisas e instalar outros pacotes que são dependências de alguns recursos que vamos utilizar… Manda ver…
# sudo apt-get install libxcomposite-dev libxfixes-dev libxdamage-dev libxrender-dev libxext-dev transset
Como você terá que compilar (calma, é fácil. E pare de ser preguiçoso! ;-)) o transset-df, instale o pacote build-essential, caso ainda não o tenha instalado, com o seguinte comando:
# sudo apt-get install build-essential
Estes pacotes que você acaba de instalar são necessários para que seja possível usar o recurso de mudar a transparência das janelas em tempo real com a rodinha do mouse. IMPORTANTE: Para esse recurso também é necessário que o recurso composite esteja ativo em seu sistema. Você pode ver no arquivo /var/log/Xorg.0.log se, durante a inicialização do servidor X, o recurso composite foi ativado. Caso tenha sido ativado, você verá no Xorg.0.log uma linha parecida com esta: (II) Initializing built-in extension COMPOSITE. Caso não esteja ativado, você pode ativar o recurso editando o seu arquivo /etc/X11/xorg.conf e adicionando as seguintes linhas :
Em –> Section “Extensions” acrescente as linhas :
Option “Composite” “Enable”
Option “RENDER” “Enable”
Caso sua placa seja ATI acrescente também em –> Section “Device” as linhas:
Option “AllowGLXWithComposite” “true”
Option “backingstore” “true”
Caso sua placa seja NVidia acrescente também em –> Section “Device” as linhas:
Option “AllowGLXWithComposite” “true”
Option “RenderAccel” “true
Após editar essas configurações, reinicie o servidor X novamente com <Ctrl>+<Alt>+<Backspace> e verifique seu /var/log/Xorg.0.log novamente. Agora o recurso composite já deve estar ativado em sua máquina.
IMPORTANTE: Caso sua placa de vídeo seja ATI e você esteja usando os drivers proprietários da ATI no seu sistema, o Composite irá lhe causar problemas, pois apenas os drivers opensource da ATI são compatíveis com o Composite.
Agora só falta instalar mais um pacote e você já estará pronto pra aplicar todos os recursos instalados em seu Openbox. Vamos agora instalar o transset-df-5, que é basicamente o transset que instalamos dos repositórios convencionais na etapa anterior, porém melhorado. Ele nos permite algumas funções a mais que o transset convencional, tais como selecionar uma janela para aplicar transparência apenas apontando pra ela, selecioná-la por nome ou ID, e aumentar ou diminuir a transparência de forma dinâmica (em tempo real).
Para instalar o transset-df-5:
Baixe o arquivo de instalação aqui –> transset-df-5.tar.gz
Após baixar o arquivo, entre na pasta para onde o baixou pelo terminal e execute os seguintes comandos:
# tar -vzxf transset-df-5.tar.gz
# cd transset-df-5
# make
# sudo make install
Pronto, agora com o transset-df-5 instalado terminamos a parte das instalações…
Agora é hora de editar o arquivo ~/.config/openbox/autostart.sh (arquivo responsável por executar os programas que você deseja na inicialização do Openbox). Abra o arquivo com o editor de textos de sua preferência, e faça as seguintes alterações:
Localize a linha “test -z $BG || $BG bla bla bla…” e modifique-a para que fique assim:
test -z $BG || $BG -fill /home/SUA_PASTA/PASTA_DO_SEU_WALLPAPER/seuwallpaper.xyz
exemplo: Se a imagem que você usa como wallpaper está em /home/abigobaldo/wallpaper/loira.jpg, então sua linha vai ficar assim:
test -z $BG || $BG -fill /home/abigobaldo/wallpaper/loira.jpg
Logo abaixo dessa linha que você acabou de alterar, acrescente as seguintes linhas:
fbpanel &
xcompmgr -cC &
xbindkeys &
update-notifier &
nm-applet &
O simbolo & no final de cada linha serve para que o comando seja executado em background, e seu script de inicialização (autostart.sh) continue sendo executado. Note que eu adicionei o comando update-notifier &, que é um comando do Gnome que tem como objetivo manter ativo um alerta de autializações que devem ser feitas no sistema quando surge a necessidade, e também adicionei o nm-applet, que é o mini-aplicativo gerenciador de rede (muito útil para quem possui rede wireless ou então mais de uma conexão de rede), que permite ao usuário selecionar a(s) rede(s) que deseja conectar ativar ou desativar, e também mostra o status e informações sobre a conexão na barra de tarefas (mostra também a potência de sinal de rede para quem usa wireless). Agora salve o arquivo e feche o editor de textos.
Por último, crie com o editor de textos de sua preferência o arquivo ~/.xbindkeysrc com o seguinte conteúdo:
“transset-df –min 0.1 -p –dec 0.1″
alt + b:5
“transset-df -p –inc 0.1″
alt + b:4
Cuidado… São dois traços juntos (- -) antes de “min” “dec” e “inc”. Agora salve e feche o arquivo. Não copie o texto acima e cole para o arquivo, pois devido a uma característica do wordpress, as aspas (”) não vão ser coladas no seu arquivo como o caractere apropriado… Para criar seu arquivo use o conteúdo DESTE LINK -> .xbindkeysrc .Esse arquivo que você acaba de criar (~/.xbindkeysrc) informa ao xbindkeys que o comando transset-df deve ser utilizado para alterar a transparência das janelas que estão sob o cursor do mouse conforme você segura a tecla <Alt> e gira o botão de rolagem do mouse.
Pronto… Tudo certo. Caso não tenha ocorrido nenhum erro durante o processo, a próxima vez que você reiniciar o servidor X e selecionar o Openbox como sessão, já vai estar com seu Openbox configurado com barra de tarefas, sombras nas janelas, menu personalizado e transparência modificável de janelas com <alt>+<botão de rolagem do mouse>, e já vai ter uma boa noção de como implementar novos recursos visuais e funcionalidades usando outros programas de sua preferência.
Gostaria de salientar que, dependendo da performance de seu computador, a utilização do xcompmgr e do xbindkeys (que são responsáveis pela composição e modificação de sombras e transparências das janelas), podem causar uma certa lentidão durante a movimentação das janelas pelo seu desktop, o que a meu ver vai um pouco contra o principal atrativo do Openbox, que é beleza + extrema rapidez. Portanto, você decide se prefere utilizá-los ou não. Caso não queira utilizar, simplesmente remova as linhas do xcompmgr e do xbindkeys no script de inicialização do Openbox que você editou (autostart.sh).
Mais uma dica: Junto com meu Openbox, gosto de usar o gerenciador de arquivos thunar (mais leve que o nautilus, gerenciador padrão do Gnome, e com funcionalidades bem legais, como por exemplo a montagem automática de dispositivos removíveis plugados na máquina). Caso queira experimentar, instale o thunar com o seguinte comando:
# sudo apt-get install thunar thunar-archive-plugin thunar-media-tags-plugin thunar-volman-plugin thunar-vfs-1-2
(um único comando apesar de aparecer aqui em duas linhas)
Depois de instalado, é só inserir um link pra ele em seu menu com o obmenu, ou então executá-lo com o comando thunar no terminal.
Caso você prefira, pode usar também o painel do Gnome com o Openbox, substituindo o comando fbpanel & (no arquivo autostart.sh) sugerido acima por gnome-panel & . Muitos preferem fazer isso, tendo em vista que já estão mais acostumados com a falicidade de personalização do painel do Gnome. Lembre-se também que você pode usar outros paineis de sua preferência, colocando-os no arquivo autostart.sh da mesma forma, e também outros tipos de aplicativos, como desklets, pidgin, skype e afins, também adicionando-os no autostart.sh para que eles iniciem automaticamente quando você iniciar seu sistema. Só não se esqueça de usar sempre o & no fim da linha de cada comando, para que o script de iniclização autostart.sh não fique parado ao executar algum dos comandos.
Agora vai lá testar seu novo Window Manager… Enjoy!
Até a próxima. Grande abraço a todos!
Agradecimento ao pibarnas do canal #ubuntu-br que me apresentou todas as melhorias da versão nova, pois eu estava desatualizado, e me fez boas sugestões referentes ao artigo.


