Este artigo é destinado aos usuários que pretendem instalar ou reinstalar o GNU/Linux fazendo um planejamento adequado de particionamento.
Um planejamento correto do esquema de particionamento do seu HD (ou dos seus HDs) podem tornar seu sistema muito mais SEGURO, e até mesmo mais rápido dependendo do tipo de utilização que seu sistema vai ter.
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O que é particionamento:
Particionamento pode ser definido essencialmente como o ato de criar divisões lógicas dentro de uma unidade física de armazenamento de dados. É dividir um dispositivo de armazenamento de dados de maneira que cada divisão lógica criada seja reconhecida pelo sistema operacional como um dispositivo de armazenamento independente. O uso mais comum do particionamento de disco rígido é a instalação simples de mais de um sistema operacional, de forma que cada sistema fique restrito à sua partição, não misturando dados com o outro sistema e evitando possíveis conflitos, e também para que cada sistema possa utilizar seu próprio filesystem (entenda melhor o que é filesystem no artigo Entendendo Tecnicamente o GNU/Linux). Também é muito utilizado o particionamento para simplesmente separar, em um mesmo sistema, arquivos de sistema e arquivos de dados, de maneira que o sistema possa ser reinstalado sem a perda de dados como documentos, fotos, vídeos, músicas, etc… Iremos ver nesse artigo, que o GNU/Linux por ser um sistema extremamente completo e de estrutura amplamente flexível, permite um adequado esquema de particionamento para garantir uma maior segurança/funcionalidade do sistema.
Existem basicamente três tipos de partições possíveis para uma unidade de armazenamento: partições primárias, partições estendidas e partições lógicas. Como o esquema inicial de particionamento de unidades de armazenamento dos PCs permitia apenas a criação de quatro partições primárias em uma mesma unidade, surgiu a necessidade da utilização da partição estendida, que permite que sejam criadas até 255 partições lógicas dentro dela, superando assim o limite máximo de quatro partições em uma mesma unidade de armazenamento, que existe quando utilizamos apenas partições primárias. As partições estendidas não podem ser utilizadas diretamente para a alocação de dados… É necessário que sejam criadas partições lógicas dentro dela, e é nas partições lógicas que serão alocados os dados. Por isso as partições estendidas devem ser encaradas apenas como uma divisão primária que armazena partições lógicas dentro dela, e não como uma partição em que se escrevem dados diretamente. Cada unidade de armazenamento pode ter apenas UMA partição estendida, ou seja, o limite máximo de partições de um HD, por exemplo, é de 3 partições primárias mais uma partição estendida (podendo esta conter seu limite máximo de partições lógicas dentro dela)… ou seja, é partição pra caralh@#$!%& rsrsrsrs ;-). Cada partição primária ou lógica, é vista pelo sistema como uma unidade de armazenamento independente, e por isso, cada uma tem seu próprio filesystem e permanece absolutamente sem conflitos com a outra.
Para falar sobre particionamento, primeiro quero esclarecer algumas coisas… LEMBRE-SE QUE qualquer alteração indevida ao lidar com processo de particionamento pode levar você a perder todos os dados que possa ter em seu HD, portanto, tome cuidado e faça tais modificações por sua conta e risco… Recomendo que o usuário faça sempre um backup de seus dados importantes antes de lidar com partições. Depois não venha com lamentações, pois eu avisei. No caso de alguma catástrofe, vá reclamar pro bispo…
Quero lembrar também que para fazer o particionamento do HD ou para redimensionar partições já existentes você pode usar o GParted, ou então o programa de particionamento de sua preferência. Eu particularmente recomendo que você tenha sempre a mão um Live CD (cd bootável) com ferramentas de particionamento, backup e recuperação de dados, pois você nunca sabe quando vai precisar. Eu uso sempre um Live CD chamado Gparted + Clonezilla… Além de possuir o GParted, que é um ótimo programa de particionamento, possui também o Clonezilla, que é uma ferramenta de backup que permite que você grave uma ou mais partições (ou até mesmo seu HD inteiro) em um arquivo-imagem compactado, para que você possa restaurar seu sistema exatamente como estava no momento do backup, em poucos minutos, sem precisar passar por nenhum processo de instalação. Pretendo escrever um artigo futuro sobre a utilização desse Live CD, porém ambos são programas bem simples e intuitivos. Para baixar a imagem do Live CD do Gparted + Clonezila clique aqui. Existe também o Ultimate BootCD com ferramentas de teste de hardware, recuperação, backup e gerenciamento de HDs.
Quero lembrar também, aos usuários que utilizam Windows, que realizem uma desfragmentação do disco antes de redimensionar partições desse sistema para evitar o risco de perda de dados, pois o filesystem NTFS provoca grande fragmentação.
Caso você utilize Windows e pretenda mantê-lo em seu HD junto com o GNU/Linux, você pode utilizar o conhecido software de particionamento Partition Magic, a partir do próprio Windows, para redimensionar a partição do sistema e liberar espaço para a instalação do Linux. Num próximo artigo vou falar de maneira mais aprofundada sobre o MBR (Master Boot Record), setor inicial de todo HD que ocupa os primeiros 512 bytes do disco, que contém informações sobre a inicialização dos sistemas operacionais e informações sobre o esquema de particionamento. O artigo sobre MBR e grub será importante para que você entenda como funciona o gerenciador de boot e como manter dois ou mais sistemas operacionais funcionando em seu computador, selecionáveis durante o boot. Por enquanto vamos falar apenas do particionamento.
Bom, feitas as considerações, vamos à parte que realmente interessa. O particionamento de espaço livre do HD para a instalação do GNU/Linux…
A princípio, podemos instalar o sistema GNU/Linux dispondo de apenas 2 partições. Uma destinada a SWAP (você pode entender melhor o que é SWAP ou Memória Virtual lendo meu artigo “Entendendo tecnicamente o GNU/Linux“) e outra destinada ao sistema operacional, instalando-o inteiro em uma única partição. Mas isso não é recomendável, e você vai entender o por que no decorrer desse artigo. Apesar de seu uma prática bastante comum, principalmente entre usuários iniciantes e instalações domésticas, instalar o GNU/Linux somente em duas partições, o sistema também pode ser instalado de forma com que determinados diretórios fiquem em partições separadas do disco, e até mesmo em outros computadores na rede (porém não vou abordar esse tipo de caso, pois é utilizado apenas no caso de necessidades mais específicas). Quero lembrar antes de mais nada, que devem ficar na mesma partição, o diretório raiz (/), /bin, /etc, /dev, /initrd, /lib e /sbin, e recomendo que fique também o /boot, já que são diretórios necessários no momento de inicialização do sistema, e que contém configurações e arquivos executáveis essenciais do sistema (entenda melhor o esquema de diretórios GNU/Linux no artigo sobre a Estrutura básica de Diretórios), e por isso, devem ser mantidos numa mesma partição, até mesmo para um momento de falha no sistema, em que serão utilizados para um procedimento de recuperação.
Podemos começar o esquema de partiocionamento agora com uma recomendação que é apropriada até mesmo para usuários que pretendem utilizar o computador pra atividades comuns (entenda-se utilização doméstica genérica - lêr emails, acessar a internet, escutar música, jogar, editar textos, etc…). No caso de você precisar, ou querer, instalar uma nova versão do GNU/Linux “do zero”, ou até mesmo no caso de um momento “putz… fodeu tudo!”, se você fizer a instalação do sistema operacional INTEIRO em uma mesma partição, ao formatá-la você irá perder tudo, até mesmo suas configurações pessoais, personalizações de área de trabalho, documentos, fotos, e-mails, etc… E nós sabemos que isso não é nada agradável, e também sabemos que a grande maioria dos usuários “comuns” não é muito chegada em fazer backups constantes de seus arquivos pra evitar esse tipo de catástrofe.
Pois bem, minha primeira recomendação é que você crie uma partição exclusiva para o mount-point (ponto de montagem) do diretório /home
Conforme você já teve a oportunidade de ler no artigo “Estrutura básica de diretórios no GNU/Linux“, o diretório /home é o diretório que armazena todos os seus documentos e configurações pessoais. Portanto, se você tiver esse diretório em uma partição separada, você poderá formatar tranquilamente a partição principal (entenda-se partição onde está montado o diretório raiz (/)), e suas configurações e dados pessoais permanecerão preservados em sua partição individual. Basta que você indique na próxima instalação do GNU/Linux que você fizer, que o mountpoint (ponto de montagem) dessa partição é /home.
O diretório /tmp é outro que merece atenção no esquema de particionamento. Por ser um diretório utilizado pelo sistema para armazenar arquivos temporários com informações necessárias a execução de tarefas, é um diretório com uma pequena demanda de espaço, e suscetível a um eventual crescimento descontrolado de dados causado por mal funcionamento de algum programa “bugado” ou até mesmo por um usuário mal intencionado do sistema, e essa fragilidade pode ser devidamente corrigida, simplesmente fazendo com que o diretório /tmp fique em uma partição individual, com espaço pequeno, pois isso limitará sua quantidade de dados, impedindo que esse tipo de problema eventual provoque o consumo de espaço em áreas essenciais do sistema.
A mesma recomendação segue para o diretório /var, que também é suscetível ao crescimento descontrolado de dados que pode ocorrer em consequência, por exemplo, de um ataque ao servidor de emails (/var/spool/mail) ou servidor web (/var/www) da máquina. Por isso, recomendo que também o diretório /var fique em sua partição individual, com o espaço específico que você julgar necessário. Dessa forma, caso algum usuário do sistema começasse a receber muitas mensagens de SPAM por email, por exemplo, somente a partição individual do diretório /var teria seu espaço consumindo, garantindo a segurança do restante do sistema, e facilitando ao administrador do sistema (provavelmente você ;-)) uma solução rápida para resolver o problema.
Mesmo que um diretório já esteja em sua partição individual, você pode ainda, caso queira, deixar um subdiretório deste mesmo em uma outra partição individual. Exemplificando: Imagine que seu diretório /var já esteja em sua partição individual para garantir a segurança citada acima, e que você pretenda habilitar um webserver (apache2 por exemplo) em seu sistema, que permite que seus usuários faça upload de arquivos… Você pode determinar que o subdiretório www (/var/www - diretório onde ficam por padrão os dados do webserver) fique em outra partição individual, garantindo assim que o espaço reservado ao webserver em questão fique limitado ao espaço da partição criada para armazená-lo.
Minha última recomendação (até porque agora você já deve ter entendido a lógica dos esquemas de particionamento e já é capaz de implementar medidas de segurança/funcionalidade específicas para sua utilização) é reservar uma partição individual com o tamanho que julgue necessário, no momento da instalação do Linux, para armazenar futuros backups importantes em um diretório específico para isso (/backup por exemplo). Isso complementa a primeira recomendação (de separar o /home) e vou exemplificar por que… Imagine que você vá instalar futuramente uma distribuição GNU/Linux, que utilize por padrão programas e arquivos de configuração pessoal diferentes ou incompatíveis com os da distribuição que você está instalando agora… Nesse caso, manter o mesmo diretório /home que você já está utilizando não seria totalmente eficaz, pois uma na migração para novos programas, alguns arquivos pessoais de configuração do diretório /home poderiam não ser mais utilizados. Nesse caso, você poderia jogar apenas os arquivos essencialmente necessários (tal como o xorg.conf por exemplo, que configura o servidor X para sua placa de vídeo e monitores, e outros que você certamente gostaria de poupar numa formatação para facilitar a instalação de um novo sistema Linux) para seu diretório de backup, e eles estariam ali preservados em sua partição indivudual enquanto você pode formatar todas as demais partições sem perder esses dados.
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Conclusão: Foi demonstrada nesse artigo a importância de um esquema apropriado de particionamento para aumentar a segurança e funcionalidade de seu sistema. Recomendo que, para que você possa fazer seu próprio esquema de particionamento de maneira adequada, você pense bem na utilização que vai fazer do PC, pois só assim você vai poder dimensionar as partições de maneira apropriada, e separar tudo o que é necessário de forma mais inteligente.
Grande abraço a todos! Até a próxima…
